domingo, 13 de maio de 2012

Ne me quitte pas,  não me deixarei ir

Ouço o seu silêncio
Sinto o seu desejo
Toco a sua respiração
Aspiro o seu beijo
Quero me fundir com você
Quero não te querer
Quero sumir
Quero fugir
Talvez eu consiga não me perder em você
Talvez eu chegue ao sublime
Talvez eu desfaça  a indecisão
E volte para o meu eu, para mim



sábado, 27 de agosto de 2011

Ausência de som


De frente para a tela do computador, olhando uma folha em branco e o cursor piscando, lembrei de um poeta que apregoava o seguinte: somos folhas em branco, sem passado, sem memória. Será isso verdade mesmo?
            Os amores que vivemos no passado nos influenciam, os erros que cometemos nos perseguem. Isso tudo se materializa como o NÃO DITO.
            Conseguimos recuperar nossa capacidade de sorrir, de amar, de viver, mas somos incapazes de tocar nas nossas próprias feridas, de falar, mesmo que para nós mesmos, do que erramos, que dirá, verbalizar isso para o outro.
            Assim, quando não dá certo, culpamos o mundo inteiro. Foi o trabalho, a falta de tempo, as amizades, tudo... menos o nosso silêncio. E seguimos a vida, rumo ao infinito ou a outro relacionamento, levando na bagagem a frustração de não termos dado o grito de liberdade, de não termos alforriado nossas dores. As carregamos junto de nós, sabemos que isso nos faz mal, mas não nos sentimos capazes de ser plenamente felizes, porque isso significa se abrir, se comunicar muito mais do que superficialmente.
            Bem sei o quão difícil é assumir que não somos tão bem resolvidos assim... E se o esforço for inglório? Se a luta travada em nosso íntimo resultar em fracasso? Pior ainda, se não formos compreendidos?
            Jamais nos obrigaríamos a rever nossos conceitos se esse alguém não fosse importante... Caso aqueles olhos não nos pedissem mudamente uma chance. Em meio a paixão ou ao amor, há muitos pedidos, nos fazemos de cegos e não lemos a mensagem ali contida.
            Quando tiramos a roupa e nos olhamos no espelho, não vemos o quanto somos dignos e capazes. A dignidade consiste em amar e a capacidade, na confiança que temos em nós mesmos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

sábado, 23 de julho de 2011

Reencontro

           
             Filosofar não é tão fácil quanto dizem, exige um cuidado extremo, como em um “Haikai”. Sendo assim, mesmo correndo o risco de parecer pretensiosa, vou tentar.
            Nossas vidas são compostas por imensos altos e baixos, alguns mais baixos do que altos. Caímos, levantamos  e tornamos a cair. Aí está a filosofia com toda a sua imensidão. Deixando-a um pouco de lado e mergulhando propriamente dito no cotidiano, chegamos aos dias vazios, em que não temos nenhum lugar para ir, ninguém para ligar, ninguém para nada...
            Pessoas modernas que somos, procuramos não nos incomodar com isso, não há dores, por que então sofrer? Nos arrumamos para nós mesmos e vamos para a rua. Caminhando, sentindo toda a energia dos cariocas, nos sentimos fortes, corajosos, vorazes. O telefone nos queima nas mãos, há um número que podemos ligar, alguém a quem queremos dizer um simples “Oi”. O mais correto seria esperar pelo acaso, esperar que o destino nos faça encontrar essa pessoa casualmente – lá vem a filosofia de novo.
            O homem já foi à lua, a mulher saiu de casa, por que esperar pelo acaso??? Já em estado febril, damos uma ajudinha para o destino. Ligamos. Depois de algum tempo de conversa, a situação mudou, temos alguém com quem nos encontrar.
            Não podemos usar nada muito chamativo, afinal, aquela pessoa já nos conhece, não somos novidade um para o outro. Então por que motivo procuramos essa pessoa?  E precisa ter um motivo para reviver algo que nos fez bem?
            Esse “reencontro”, arranjado, é despretensioso, queremos a leveza de uma folha caindo na primavera. Nada de rótulos e formas, apenas o sabor daquele vinho há muito apreciado, mas que não vicia.
            Ao final, fizemos descobertas incríveis sobre o outro, e nos descobrimos também. O outro(a) é divertido(a), sutil, suave. Nós, ousados, despretensiosos e descompromissados. Esse grau de evolução só pode ser alcançado pela falta de cobranças, pela liberdade de ir e vir, ou de não voltar, porque, talvez não haja ninguém para quem voltar, porque esse alguém foi para outro lado.
            Nana Caymmi canta que devemos saber passar, a diva está certa, devemos passar pelas vidas dos outros e dar passagem para os outros na nossa vida.
            Voltando ao canto da musa, termino assim: “Eu liberto.”

Fugaz

Ouvindo Marina Lima cantando essa música, me inspirei escrever esse texto. Pensando no que é fugaz, cheguei às novas versões de “relacionamento” que estamos tendo hoje em dia. Sim, caríssimos, eu me incluo no discurso!!! E por que não???
         Usamos nossas melhores roupas, nosso melhor sorriso e vamos para os lugares mais badalados da cidade. Não queremos ficar sozinhos, então, jogamos aquele charme para quem desejamos e... lá estamos, beijando, abraçando e sabe-se o que mais. Antes do final da noite já nos despedimos ou encontramos outro ou outra.
         Os mais conservadores dirão que o amor é oriundo do tempo de convivência, da amizade, do carinho, mas será loucura dizer que os minutos ou até mesmo horas que passamos com essas pessoas produzem sentimento? Será um contra senso pensar que podemos nos conhecer melhor depois de passar por essa(s) experiência(s)? Ou será que viver isso é consequência da solidão em que nos encontramos e confundimos a efusividade do momento com um possível sentimento? Mais uma vez, uns e outros dirão que é tudo culpa da solidão, que é impossível gostar, se apaixonar ou amar alguém nessas condições.
         Não sou dada a responder perguntas, costumo deixar que o espírito e a consciência de cada um dê a melhor solução, mas hoje sinto que devo tentar solucionar esse impasse.
         Pesquisando na internet descobri que a loucura ou insânia é, segundo a psicologia, uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos e atitudes considerados "anormais" pela sociedade. Bem sei que o assunto é muito mais profundo e difícil de caracterizar do que consta na frase acima, mas estamos falando de algo que ainda não está sendo bem visto pela sociedade, então... com uma boa dose de abstração, estamos falando de algo louco.
         Não é loucura dizer que esses “relacionamentos” têm consequências maravilhosas: nos apaixonamos (isso mesmo!!!), nos apaixonamos, somos felizes, vivemos durante aquele fragmento de tempo, uma relação completa: fazemos carinhos, promessas que jamais serão cumpridas, olhamos nos olhos um do outro.... temos, em pouco tempo, o que não alcançamos em meses. O término não será doloroso, será com beijos e abraços e paixão.
         Nos tornamos conscientes da nossa capacidade de viver e deixar viver, de dar e receber felicidade.
         Não deem ouvidos aos que nos mandam esperar ou pelo príncipe encantado ou pela mulher ideal, mas também não se rebelem contra os seus conselheiros, eles dizem isso porque não têm coragem de abrir mão do sonho há muito introjetado neles. Chegam a dizer que beijar alguém completamente desconhecido não é para pessoas como nós.
         E o que é digno para nós???
         Esperar que batam na nossa porta com um buquê de rosas na mão e uma caixa de chocolates na outra perguntando: “Quer namorar, ou casar – caso prefiram assim – comigo?”
         Desista, isso não vai acontecer!!! O melhor é resgatar todo aquele ideário do carpe diem e ser feliz.
Se envolver e se separar sem dor, sem drama, sem compromissos para um futuro que talvez nem seja tão promissor assim é ótimo. Vamos viver a diversidade.
Enquanto vivenciamos essas pequenas paixões, nos preparamos emocionalmente para o amor de verdade, sem amarguras pelo tempo que passamos sozinhos.
A felicidade está nos pequenos momentos, assim como os melhores perfumes estão nos pequenos frascos.

Lembranças


Lembro dos seus lábios
Ávidos de prazer
Que percorriam o meu corpo
Tentando me conhecer
Lembro de sua língua
Quente e molhada
Que me mostrava,
Através do beijo,
Como é bom ser amada
Lembro de como você era
Quando estávamos sozinhos
Juntos
Em nosso ninho
Palavras de amor
Juras de paixão
Ditas no auge do calor
Sussurros de prazer
Abraços e beijos
De quando eu amava você

segunda-feira, 18 de julho de 2011

...


...
O telefone não toca
Não há nenhuma voz para ouvir
Não há roupas de outrem no armário
Não há cama desfeita        
Não há ninguém para esperar
Existe apenas o imenso vazio da solidão
Esse imenso buraco me engole
Essa lacuna na vida de quem ainda não foi feliz
E quem sabe, talvez nunca seja
Não, não, não
Não lute contra
Seria uma vitória sem glórias
O amor não existe
A felicidade também não
Há apenas o telefone silencioso
A cama arrumada
O armário com roupas conhecidas
O espaço
Enfim,
O mais completo nada